Terno de Branco

Espaço de divagações, matérias jornalísticas, artigos e baboseiras ao humor do dono. Colaborações apenas de amigos próximos ou quem se dispor a me pagar uma gelada.

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Terra Blog

29.06.06

Feio não é bonito

A cada quatro anos nos deparamos com a velha questão. Afinal é mais valioso apresentar um bom futebol ou conquistar um bom resultado? Dar espetáculo ou avançar na Copa? Ser eficiente ou brilhante? Uma discussão tão velha quanto estúpida e inócua, pelo menos aqui na Terra Brasilis do Ludopédio.

O futebol brasileiro não necessita de resultados. Estamos agora no patamar do basquete ianque na Olímpiada de Barcelona, além de vencer tem que haver espetáculo. Renunciar isto ao público é admitir a mediocridade como parâmetro de competitividade. Parte disso graças ao atual técnico do escrete canarinho que, com honra, merece o crédito. Afinal, não custa repetir, foi ele que nos livrou de nosso maior jejum de Copas desde que exorcizamos nosso complexo de vira-lata. Seus defensores justificavam que em 1994 havia uma pressão grande pelo título (vá lá, argumento chinfrim, mas vou relevar) e não haviam grandes valores individuais na época além de Romário e Bebeto (mentira deslavada. Porque ele não convocou Rivaldo, Edmundo, Evair, Edilson, Djalminha, Palhinha, Amoroso e tantos outros que estavam em fase esplendorosa?). Ainda assim foi possível engolir a seco aquele futebol magro, irritantemente eficiente em prol da glória de se tornar a primeira seleção tetracampeã do mundo.

Agora a situação é diferente. O Brasil reina absoluto no futebol nos últimos quatro anos, possui os jogadores mais talentosos do mundo, e continuará sendo a seleção mais vencedora ainda que perca este mundial. O que impediria a seleção de encantar o mundo? O que em 94 era a cura hoje parece ser o mal: Carlos Alberto Parreira. Excessivamente pragmático e teimosamente cabeçudo não é do feitio do técnico armar times encantadores. Mesmo o seu Corinthians cheio de estrelas, ganhava de todos e não convencia ninguém. Seus times são chatos, não marcam sob pressão, esperam o adversário no próprio campo e quando  tem a bola sob domínio tocam lateralmente até encontrar uma brecha no time adversário. Um esquema funcional para uma Arábia ou Irã, mas injustificável para a seleção mais talentosa (individualmente) do mundo.

Em 2002 fomos campeões sem encantar ninguém, mas tínhamos espírito de equipe, uma equipe vibrante, que tomava as rédeas do jogo, que por vezes sufocava o adversário - mesmo que depois se fingisse de morta - e que não deixava quase nunca o oponente impor seu ritmo ao jogo. Isto sim é eficiência. A seleção de Parreira é no máximo competente. Competentemente chata. Mas feio não é bonito. É só olhar pro Ronaldinho Gaúcho.

  • criado por  frankmiranda criado por frankmiranda
  • Postado em 13:32:11
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