Terno de Branco

Espaço de divagações, matérias jornalísticas, artigos e baboseiras ao humor do dono. Colaborações apenas de amigos próximos ou quem se dispor a me pagar uma gelada.

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Arquivo de: Junho 2006

30.06.06

É hoje!

A Copa começa hoje. Eu sei que a fase eliminatória teve início nas oitavas, que 24 seleções já foram eliminadas e 552 jogadores já zarparam da Alemanha. Mas apenas agora teremos confrontos realmente equilibrados, com seleções não apenas tradicionais mas que possuem grandes valores individuais e jogadores reservas que podem mudar o destino dos jogos. É a hora de conhecermos os verdadeiros protagonistas desda saga. Eis os confrontos:

ALEMANHA X ARGENTINA

As Equipes:

Alemanha: Foi a equipe que mais evoluiu durante o mundial. Como imaginava, o fato de ter enfrentado adversários de má qualidade na primeira fase foi importante para conquistar bons resultados, ajustar o time e cativar a torcida. Mas não se resume a isso. O técnico Jurgen Klinsmann conseguiu mudar a forma dos alemães jogarem, não apenas pela mudança de esquema, mas principalmente pela atitude do time em campo. Marcando meia pressão no campo do adversário, avançando muito pela lateral esquerda e triangulando com os meias de aproximação, a equipe cria muitas opções para o ataque "polonês" Klose-Podolski. Além disto, um bom poder de definição aliado à empolgação pelo apoio da torcida fazem desta seleção alemã - que tecnicamente não é a melhor de todos os tempos - a mais empolgante de sua história. Porém, nem tudo são flores para os germânicos. O setor mais criticado desta equipe sempre foi a defesa, que ainda não foi testada realmente neste Mundial. Esta mostrou-se às vezes lenta e posicionada em linha, o que pode ser aproveitado pelos argentinos que gostam de aproximar-se do ataque com jogadores de meio campo em velocidade.

Argentina:  Renovada e aplicada. Estas são as principais virtudes do selecionado que a Argentina trouxe ao Mundial. Mostrou um excelente futebol durante alguns momentos da competição e quando este futebol caiu em qualidade mostrou a velha raça e aplicação para manter-se na competição. O talento transborda entre vários destes jogadores, o técnico José Pekerman sabe extrair o potencial de cada um (conhece a maioria desdeas categorias de base), o esquema está bem assimilado por todos, o time está equilibrado em todos os setores e possui excelentes opções no banco de reservas. A fragilidade é depender muito de Riquelme. O meia armador  "carimba" todas as bolas antes destas chegarem ao ataque, cadencia o jogo, mas se bem marcado parece não possuir velocidade para variar o jogo. Caso Lucho Gonzalez jogue, o time ganha em velocidade e saída de bola (Cambiasso sairia da equipe então), reduzindo esta dependência. Sorín e Maxí Rodriguez serão decisivos neste jogo, pois os alemães devem bloquear as jogadas pelo meio da zaga.

O Confronto: Um duelo desses seria equilibrado até se fosse pebolim. O jogo deve ser disputado, aguerrido e definido com dificuldade. Como não fico no muro, aposto na Argentina por razões objetivas e subjetivas. Objetivamente gosto do talento e acredito que le deve se sobressair sempre e a seleção portenha é mais talentosa. Subjetivamente, torcerei pela Argentina pois conheço o país, gosto da sua cultura, admiro sua identidade e tenho amigos portenhos. Eles merecem avançar mais neste Mundial.

 

 

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  • Postado em 10:01:11

29.06.06

Feio não é bonito

A cada quatro anos nos deparamos com a velha questão. Afinal é mais valioso apresentar um bom futebol ou conquistar um bom resultado? Dar espetáculo ou avançar na Copa? Ser eficiente ou brilhante? Uma discussão tão velha quanto estúpida e inócua, pelo menos aqui na Terra Brasilis do Ludopédio.

O futebol brasileiro não necessita de resultados. Estamos agora no patamar do basquete ianque na Olímpiada de Barcelona, além de vencer tem que haver espetáculo. Renunciar isto ao público é admitir a mediocridade como parâmetro de competitividade. Parte disso graças ao atual técnico do escrete canarinho que, com honra, merece o crédito. Afinal, não custa repetir, foi ele que nos livrou de nosso maior jejum de Copas desde que exorcizamos nosso complexo de vira-lata. Seus defensores justificavam que em 1994 havia uma pressão grande pelo título (vá lá, argumento chinfrim, mas vou relevar) e não haviam grandes valores individuais na época além de Romário e Bebeto (mentira deslavada. Porque ele não convocou Rivaldo, Edmundo, Evair, Edilson, Djalminha, Palhinha, Amoroso e tantos outros que estavam em fase esplendorosa?). Ainda assim foi possível engolir a seco aquele futebol magro, irritantemente eficiente em prol da glória de se tornar a primeira seleção tetracampeã do mundo.

Agora a situação é diferente. O Brasil reina absoluto no futebol nos últimos quatro anos, possui os jogadores mais talentosos do mundo, e continuará sendo a seleção mais vencedora ainda que perca este mundial. O que impediria a seleção de encantar o mundo? O que em 94 era a cura hoje parece ser o mal: Carlos Alberto Parreira. Excessivamente pragmático e teimosamente cabeçudo não é do feitio do técnico armar times encantadores. Mesmo o seu Corinthians cheio de estrelas, ganhava de todos e não convencia ninguém. Seus times são chatos, não marcam sob pressão, esperam o adversário no próprio campo e quando  tem a bola sob domínio tocam lateralmente até encontrar uma brecha no time adversário. Um esquema funcional para uma Arábia ou Irã, mas injustificável para a seleção mais talentosa (individualmente) do mundo.

Em 2002 fomos campeões sem encantar ninguém, mas tínhamos espírito de equipe, uma equipe vibrante, que tomava as rédeas do jogo, que por vezes sufocava o adversário - mesmo que depois se fingisse de morta - e que não deixava quase nunca o oponente impor seu ritmo ao jogo. Isto sim é eficiência. A seleção de Parreira é no máximo competente. Competentemente chata. Mas feio não é bonito. É só olhar pro Ronaldinho Gaúcho.

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  • Postado em 13:32:11

Seleção Tabajara

Todo mundo adora uma lista, uma seleção. Todo mundo queria ser técnico, ter o poder de convocar e montar um time imaginário, provavelmente imbatível. Como odeio ser convencional, não vou montar uma seleção dos melhores da Copa, até porque ela ainda não acabou, mas montarei uma seleção dos piores da primeira fase - a maioria, como nós já está assistindo o mundial no confortos de seus lares - jogadores que contarão a seus netos espalhados pelos quatros cantos do planeta que jogaram em uma Copa do Mundo. Sorte deles, azar o nosso: Eis o escrete perna-de-pau:

1-Kossi Agassa (Togo) - Aqueles dois gols que tomou contra Coréia...

2- Manuel Loco (Angola) - Faz jus ao nome. Parece um doido em campo.

3- Umaña (Costa Rica) - Deixou os atacantes passarem na manha.

4- Brent Sancho (Trinidad e Tobago) - Além da dificuldade para acertar a bola, permitiu que o inglês Crouch usasse seu cabelo rasta como apoio para cabecear. Tsc, tsc.

6- Steve Cherundolo (EUA) - Nome horrível e futebol idem.

5- Arek Radomski (Polônia) - Alguém notou ele em campo?

8- Lee Eul Yong (Coréia) - Joga no Trabzonspor. Hã? Joga?

7- Zé Calanga (Angola) - Acaba de ser contratado pelo Vitória. Jogará ao lado de Caboré. Torci muito pra ele fazer um gol no mundial, mas...

9- Emmanuel Adebayor (Togo) - Incrível mas ele joga no Arsenal. Joga não, faz parte do elenco. Deve ter o melhor procurador do mundo e o pior cabeleireiro.

10- Atsushi Yanagisawa (Japão) - Perdeu o gol mais feito do mundial. Feito não, porque ele conseguiu perder. Mas o nome dele já é um palavrão mesmo...

11-Boa Morte (Portugal) - Único da nossa briosa seleção que está nas quartas de finais. Fiquem tranquilos que pelo que ele mostrou nos últimos dez minutos contra o México (trombadas, furadas, tropeções e um cartão amarelo) Felipão não o colocará mais para jogar nesta Copa. Eu espero.

Técnico - Ilija Petkovic (Sérvia e Montenegro) - Pior campanha da Copa, tomou a maior goleada, queria convocar o filho e deixou o Petkovic "brasileiro" de fora do mundial. Pior impossível.
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  • Postado em 10:15:19

Post de Esclarecimento

Devo um pedido de desculpas a meus leitores. Sei que são poucos, mas merecem esta nota de esclarecimento. A ausência de novos posts foi devido a alguns entreveros pessoais, falta de tempo, viagens juninas e dedicação a projetos paralelos. Neste ínterim, o principal foco continuou sendo a Copa. Como profetizava, poucas surpresas, um nível técnico melhor que o do último mundial mas inferior ao esperado, jogos disputados no aspecto físico e a seleção brasileira ganhando muito e jogando pouco.

Minhas previsões estiveram muito acima da média dos comentaristas profissionais, de boteco, e adivinhos de plantão. Foram apenas 2 erros: Apostei nos Thecos no grupo E e na Croácia no F. Perderam as vagas para Gana e Austrália respectivamente, as principais surpresas do mundial que, como deveria acontecer com todas as zebras que não possuem um grande time, foram despachadas nas oitavas de final.

Comprometo-me a fazer análises do que aconteceu e tentar antecipar o que deve ocorrer a partir de agora. A Copa mesmo, de verdade, começa nas quartas de finais.

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  • Postado em 09:14:04

13.06.06

Pai Alex

Grupo E:  Europeus à frente.

Itália: Quanto mais problemas, mais perigo

RESUMO: Uma das seleções mais tradicionais, está envolta em mil problemas para essa Copa. Escândalos, contusões, contestações, polêmicas... Costumam os supersticiosos afirmar que nesse momentos é que a Itália se supera e ressurge. Potencial humano para isso, ela tem demais.

CARTAS NA MANGA: Talento, raça e tradição. Só isso seria suficiente, mas a Itália possui um ataque jovem, rápido e goleador; meias de aproximação criativos, uma defesa sempre sólida e um dos melhores goleiros do mundo. Assustou?

TIRO NO PÉ: Ainda que falem que os problemas são uma motivação extra, lógico que isso impede que os jogadores desenvolvam seu melhor futebol. Por isso a Itália só ganha jogando mal.Mas concretamente, a falta de ritmo dos jogadores que vieram de contusão - Totti, Nesta e Gatusso que sequer jogará a estréia - aliada ao pragmatismo do técnico Marcelo Lippi que impede de escalar Totti e Del Piero juntos, pode obstruir o caminha da equipe que busca o tetracampeonato. Pra temperar, a pressão da torcida pelo título é grande, pois desde 1982 A Itália não vence um Mundial.

OLHO NELE: Alberto Gilardino. o atacante do Milan não é o jogador mais habilidoso do elenco [Totti], não é o mais goleador [Luca Toni], nem o mais criativo [Del Piero]. Mas o jogador de 23 anos e´taticamente decisivo para o esquema de jogo, pois sua velocidade é a principal opção de saída de jogo da Itália - o time possui laterais muito presos - e costuma surprender a defesa quando parte em diagonal pelo o meio. Como curiosidade ele nasceu no dia da tragédia de Sarriá [BrasilXItália - 05/07/1982]. Se topar com o Brasil nas oitavas...

Gana: Africanos apostam na surpresa

RESUMO: Outra seleção africana estreante em Copas. Aposta na geração talentosa que possui, sucesso nas de categorias inferiores da Fifa [sub 17 e sub 20]. Importou até o técnico para tanto, Ratomir Dujkovic tentando repetir os feitos na categoraia principal. Chegar à Copa j é uma conquista, mas eles querem mais.

CARTAS NA MANGA: Velocidade, força e alguma habilidade. Aposta também no elemento surpresa, no desconhecimento que em geral aos adversários têm de sua equipe e no entrosamento entre comissão técnica e jogadores.

TIRO NO PÉ: Gana seguiu os ditames da involução do futebol africano que está cada dia mais europeu e menos sul americano - o intercâmbio foi maléfico para eles - com isso desvaloriza justamente o maior diferencial de seus jogadores: Velocidade aliada a habilidade.

OLHO NELE: Matthew Amoah. O atacante do Borussia é a principal arma ofensiva de Gana. Mas a bola tem que chegar com qualidade, o que nem sempre acontece.

EUA: Se fossem as mulheres...

Resumo: Num país onde o futebol é chamado de soccer, e os esportes mais populares [futebol americano, beisebol e basquete] são jogados com as mãos, os maiores resultados são com as mulheres em campo. Surpreendentemente, os homens estiveram presentes nas últimas quatro copas e foram eliminados apenas nas quartas de finais da Copa da Ásia. Entretanto a qualidade do futebol continua sofrível e a classificação tranquila nas eliminatórias não esconde a fragilidade que é a Concacaf.

CARTAS NA MANGA: A continuidade do trabalho de Bruce Arena. O time possui raça, tem pegada e costuma dificultar os jogos. Possui boas jogadas de bola parada. E,claro acreditar na sorte.

TIRO NO PÉ: A evidente falta de qualidade do time  e a incapacidade dos atacantes de fazerem gols. Precisarão continuar acreditando na sorte. Em um grupo com itália e República Tcheca, precisarão muito dela.

OLHO NELE: Cláudio Reyna. O meia de 32 anos, joga no Manchester City da Inglaterra e é a principal (única na verdade) arma ofensiva do USA. Se sair algum coelho da cartola do Tio Sam,  só pode ser ele.

República Tcheca: A grande chance de uma grande geração

RESUMO: Desde a separação da Checo-Eslováquia, esta é a primeira participação da nação tcheca. E parece promissora. A equipe foi uma das ausências mais sentidas no último mundial, teve uma participação empolgante na Eurocopa 2004 [apresentou o melhor futebol] e classificou-se apenas na repescagem porque caiu em um grupo dificílimo, onde a Holanda garantiu o primeiro lugar. Depois despachou a Noruega com duas vitórias. Falta manter o bom futebol, pois essa será a última chance para uma geração [Koller, Nedved, Poborsky e Galasek] bastante talentosa.

CARTAS NA MANGA: Habilidade, técnica e experiência. Possui bons jogadores em todos setores e boas opções no banco. Um ataque muito goleador e um meio campo criativo. Somados à velocidade e excelente toque de bola e´praticamente um full-house.

TIRO NO PÉ: Média de idade alta dos principais jogadores, problemas de contusão no elenco e uma defesa às vezes claudicante. pode não suportar um jogo extenuante no ponto de vista físico, como a semifinal da Eurocopa contra a Grécia [derrota na prorrogração].

OLHO NELE: Tomas Rosicky. O talentoso meia acaba de trocar o Borussia Dortmund pelo Arsenal da Inglaterra. O interesse de uma das maiores equipes da europa é justificável, pois o jogador de 25 anos possui grande visão de jogo, chuta bem, velocidade e técnica apurada. Jogando com Nedved e Poborsky ao seu lado fica mais fácil ainda.

Cultura Inútil: A antiga Checoeslováquia teve grandes atuações em copas. Conquistou dois vice-campeonatos[1934 e 1962]. Em sua última participação, em 1990, foi eliminada nas quartas.Desde a separação em 1993, esta é a primeira participação dos checos. Os eslovacos  estiveram a um passo do mundial, disputaram a repescagem contra a Espanha mas uma derrota por 5X1 logo na primeira partida impediram a equipe de estar agora na Alemanha.

Misifio, Pai Alex: Um pouco de dúvida para a primeira colocação no Grupo. mas cravo Os Tchecos em primeiroe a Itália em segundo. Isso implica Itália e Brasil nas oitavas. Preparem-se.
 
 

  • criado por  frankmiranda criado por frankmiranda
  • Postado em 01:53:21